Nesse final de semana, no dia 08 de fevereiro, acontecerá mais uma edição do Super Bowl, um dos eventos mais assistidos do mundo e líder absoluto de audiência nos Estados Unidos. Se o futebol é a língua da América Latina, nos EUA, o Super Bowl se comunica em futebol americano. Porém, além do espetáculo esportivo e do show do intervalo com Bad Bunny em 2026. Há um aspecto que merece destaque: a presença latina nos bastidores. Em meio a tensões políticas, deportações e crimes de ódio contra imigrantes, é importante lembrar que o Super Bowl só acontece graças a muitas mãos latino-americanas. Além do trabalho: ela também está na mesa, já que um dos lanches mais consumidos durante o jogo, ou o show, é o guacamole, sempre acompanhado de chips ou tacos de vários tipos.
O Sabor da Fertilidade: Quando o Ouro Verde era Sagrado
O guacamole, essa iguaria deliciosa e refrescante, é feito tradicionalmente com abacate, suco de limão, tomate e cebola, tudo temperado com sal, pimenta e coentro para realçar os sabores. Já os chips, mesmo sendo um produto industrializado, têm raízes profundas na humilde batata. Apesar do mito que as associa exclusivamente à Irlanda, elas têm uma história muito mais antiga da América Latina.
O guacamole surgiu entre os astecas do sul do México. Eles tinham o abacate como alimento base entre os séculos XIV e XVI. Era preparado como um purê rústico, amassado em pilão e almofariz, com tomates picados, pimentas verdes e sal, e servido com tortillas quentinhas. Os astecas o chamavam de ahuacamolli, uma junção das palavras ahuacatl (abacate) e molli (molho). Quando os colonizadores espanhóis descobriram essa iguaria, rapidamente a adaptaram ao seu paladar, adicionando cebola, limão e coentro. Com o tempo, o nome evoluiu para guacamole, e as tortillas passaram a ser fritas. O nacho (a tortilla frita em triângulo) foi uma invenção de fronteira (Piedras Negras, México), antes da industrialização.
Estima-se que, apenas no dia do Super Bowl, os americanos consumam cerca de 50 milhões de quilos de abacate. Para os astecas, o abacate simbolizava fertilidade e prosperidade. Não por acaso, a palavra ahuacatl, em náuatle, significa “testículo”. Em documentos anglófonos, há registros do nome alligator pear (pera de jacaré), uma referência à casca rugosa da fruta. Isto destruiu o mercado da fruta porque as pessoas achavam que era algo perigoso ou ruim. Abacate também era valorizado por povos como os Caral no coméricio e os Mokaya como manteiga dos deuses. Nos registros maias, ele aparece nomeando o 14º mês do calendário, presença em tumbas reais em Chiapas.
A Raiz que Sustentou Impérios (e Cruzou a Via Láctea)
Já a batata tem suas raízes nas montanhas dos Andes, no atual sul do Peru e norte da Bolívia. Não faltam variações: batata inglesa, batata-baroa (ou mandioquinha), batata asterix, batata-doce. Sem falar na famosa Batata Sul-Americana, que de batata não tem nada – afinal, é o nosso aipim, macaxeira, mandioca. Enquanto o supermercado comum oferece 2 ou 3 tipos, nos Andes existem mais de 4.000 variedades de batatas nativas. É importante destacar que recebeu o nome ‘inglesa’ no Brasil por ter sido reintroduzida por engenheiros e imigrantes britânicos durante a construção das ferrovias no século XVIII.
Para os incas, a batata era muito mais do que um alimento. Além de sustentar batalhões e cidades, fazia parte de rituais religiosos, era usada em ensopados e até em técnicas avançadas de preservação, como o chuño, um método de congelamento que permitia armazená-la por longos períodos. A batata também era enterrada com os mortos, pois acreditava-se que cada colheita possuía um espírito protetor chamado Conopas. Ela servia para curar lesões e até medida padrão para tarefas curtas do dia a dia.
Em 1995, a batata se tornou o primeiro vegetal a ser cultivado no espaço,o tubérculo andino é, literalmente, o alimento do futuro para colonização espacial.
Quando o Mainstream se Rende ao Reggaeton
Bad Bunny assume o palco como o expoente máximo de uma geração que quebrou barreiras na própria América Latina. Embora ícones como Shakira e J.Lo tenham aberto caminhos históricos no Super Bowl, Benito representa a consolidação absoluta do reggaeton e do trap latino no topo do mainstream global. São 10 anos de carreira, 6 álbuns de estúdio, mais de 18 bilhões de streams e quase 100 prêmios. Seu mais recente álbum, DeBÍ TiRAR MáS FOToS, reafirma seu compromisso com as raízes de Porto Rico, contra a gentrificação, com colaborações de nativos como RaiNao, Omar Courtz e DeiV. Bad Bunny transformou um gênero que enfrentou preconceitos socio-culturais em um fenômeno que fala tanto aos que cresceram com ritmos clássicos quanto aos jovens.
A faixa “DtMF” tornou-se um fenômeno global que consolidou Benito como o maior artista do mundo entre 2025 e 2026, alcançando o topo das paradas em mais de 20 países. Esse domínio não é apenas estatístico; é cultural. Ao colocar o espanhol no topo das paradas e streaming por semanas consecutivas. Bad Bunny transforma sua música em um hino de resiliência para a comunidade. A nossa cultura latina não conhece fronteiras, enquanto tentam nos silenciar, nossa voz ecoa mais alto do que nunca em cada canto do planeta.
Para assistir o Superbowl na Europa, existem algumas opções:
Televisão:
- Reino Unido: Disponível gratuitamente no Channel 5 e para assinantes na Sky Sports NFL e Sky Sports Main Event.
- Portugal: Transmissão confirmada pela DAZN Portugal.
- França: O jogo será exibido pelos canais beIN SPORTS e M6.
- Alemanha e Áustria: Acompanhe pela RTL e pela plataforma DAZN Germany.
- Espanha: Transmitido pela Movistar Plus+.
- Irlanda: Disponível na Sky Sports e nos canais Virgin Media One / Two.
Streaming e eventos:
Para quem prefere a transmissão original dos EUA com os comerciais estadunidenses, o NFL Game Pass no DAZN é recomendado. O pontapé inicial está previsto para as 23h30 GMT (00h30 na Europa Central). Em Londres, eventos ao vivo acontecem em locais como a Boate Lightbox.
Enquanto a batata assa, SOMOS a resistência
Assim, enquanto milhões de gringos enchem as ruas e o Capitólio – e suas batatas assam no Super Bowl –, poucos percebem a ironia: celebram séculos de tradição latina em cada mordida de guacamole e chips, enquanto seguem defendendo deportações e fronteiras fechadas. Na SOMOS, você encontra uma comunidade gratuita pronta para facilitar a sua vida na Europa, com dicas práticas e guias completos, curiosidades únicas e histórias inspiradoras de outros imigrantes Latinos. Assine a newsletter e deixe seu borogodó brilhar no nosso mapa!






