Onde Estudar na Europa Para Jovens Latinos

Depois que o presidente dos Estados Unidos anunciou um plano para restringir a capacidade da Universidade de Harvard — e possivelmente de outras instituições — de matricular estudantes estrangeiros, aumentou a preocupação com um possível efeito dominó em outras universidades norte-americanas. Nesse cenário, estudar na Europa nunca foi tão visado.

Ao mesmo tempo, novas políticas de imigração vêm ganhando força em países europeus como Reino Unido e Espanha. Enquanto obstáculos adicionais surgem para a obtenção de dupla cidadania em países como Itália e França.

Diante dessa instabilidade, muitos jovens latino-americanos continuam buscando melhores condições de vida, estudo e trabalho no exterior. Pensando nisso, preparamos um guia atualizado para quem deseja estudar na Europa, com foco em países com significativa presença latina, mas que ainda não são os destinos mais tradicionais — e que podem representar novas oportunidades de crescimento.

Política de imigração em 2025: o que muda para estudantes internacionais

Em 2025, diversos países europeus implementaram mudanças importantes em suas políticas de imigração, impactando diretamente estudantes estrangeiros:

  • Alemanha passou a exigir cinco anos de residência para naturalização (antes eram três). Estudantes ainda podem trabalhar até 20 horas semanais durante o período letivo. Porém enfrentam mais restrições para reunião familiar e permanência após a conclusão dos estudos.
  • Holanda adotou medidas mais restritivas, incentivando universidades públicas a reduzirem a oferta de cursos em inglês. Além disso, o tempo exigido para solicitar cidadania foi estendido para dez anos, dificultando planos de permanência de longo prazo.
  • Irlanda centralizou os registros de residência em Dublin. Isto elevou o valor mínimo exigido para comprovação financeira: agora são €6.665 para obtenção do visto de estudante. Em compensação, a partir de julho de 2025, estudantes que completam mais de um curso de inglês no país terão isenção da taxa de imigração de €300.

Estudar na Alemanha

A Alemanha é hoje o quarto país europeu com o maior número de imigrantes brasileiros, segundo dados recentes. Estudar na Europa através da Alemanha pode acontecer por meio de intercâmbio escolar (até 18 anos), cursos preparatórios, graduação em universidades alemãs, doutorado ou programas intensivos de alemão.

A maioria das universidades públicas não cobra mensalidades, apenas uma taxa administrativa semestral entre €100 e €350, que já inclui transporte público e acesso à infraestrutura acadêmica. Algumas instituições, no entanto, cobram até €1.500 por semestre para estudantes de fora da União Europeia.

Diversas bolsas de estudos ajudam a cobrir mensalidades e custos de vida, incluindo moradia, seguro saúde, alimentação e até cursos de idioma. Os critérios mais comuns incluem bom desempenho acadêmico, proficiência em inglês ou alemão, cartas de motivação e recomendação, e em alguns casos, envolvimento em projetos sociais ou experiência profissional.

Entre as principais opções:

  • DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico): mais de 180 programas;
  • Erasmus+, da União Europeia;
  • Fundação Heinrich Böll, com foco em sustentabilidade, direitos humanos e políticas públicas;
  • Bolsas diretas de universidades alemãs.

Para estudar na Alemanha, é necessário que o diploma estrangeiro seja reconhecido pela instituição de destino. Também é obrigatório comprovar recursos financeiros suficientes para se manter no país, geralmente por meio de uma Blocked Account com cerca de €11.208 por ano. Além disso, exige-se seguro saúde válido e, para cursos em alemão, certificado de proficiência como TestDaF ou DSH. Algumas universidades aplicam testes ou entrevistas de admissão.

Quem não possui passaporte europeu precisa solicitar visto de estudante para permanência superior a 90 dias.

Estudos na Holanda

A Holanda abriga a maior comunidade latino-americana do continente, com cerca de 76.500 brasileiros vivendo no país. Estudar na Europa com foco na Holanda pode ser uma escolha estratégica, apesar dos custos mais elevados.

O valor médio mensal para estudantes gira em torno de €2.000, incluindo moradia, alimentação e matrícula. As taxas de matrícula variam entre €6.000 e €15.000 por ano, podendo ultrapassar os €20.000 para programas de mestrado ou MBA.

Ainda assim, há oportunidades de apoio financeiro, como:

  • Holland Scholarship;
  • Orange Tulip Scholarship;
  • Erasmus Mundus, para programas conjuntos em vários países europeus.

A Holanda oferece diversas modalidades de estudo: cursos técnicos, universidades de ciências aplicadas, programas au pair, graduações e pós-graduações presenciais ou online.

Com o visto de longa permanência (MVV), estudantes internacionais podem trabalhar até 16 horas por semana durante as aulas ou tempo integral nas férias de verão, desde que o empregador solicite a autorização necessária. Estágios obrigatórios vinculados ao curso não exigem essa autorização. Já cidadãos da UE, EEE e Suíça podem trabalhar livremente.

Estudar na Irlanda

É essencial diferenciar as regras entre Reino Unido e Irlanda, especialmente em relação ao direito de trabalho e custo de vida.

Na Irlanda, estudantes podem trabalhar até 20 horas semanais durante o período letivo e até 40 horas nas férias, desde que estejam matriculados em cursos com no mínimo 25 semanas. O país também conta com um dos salários mínimos mais altos da Europa, o que ajuda a cobrir os gastos diários.

Comparada ao Reino Unido, a Irlanda apresenta custos mais acessíveis de moradia e alimentação. Cidades como Dublin ainda são caras, mas geralmente menos do que Londres, por exemplo. Além disso, a Irlanda é vista como mais acolhedora culturalmente, com uma comunidade internacional vibrante.

O sistema educacional é dividido em três níveis: primário, secundário e superior (“Third Level”), regulado pelo Department of Education and Skills. O ensino superior inclui universidades e institutos tecnológicos que oferecem graduações, pós-graduações, mestrados e doutorados. Também há uma grande variedade de cursos de inglês em escolas especializadas.

Os cursos mais populares entre estrangeiros são os de 25 semanas, pois permitem trabalhar legalmente. Programas mais curtos (de quatro a doze semanas) são ideais para quem busca uma imersão rápida.

Para ingressar em universidades irlandesas, é necessário solicitar o visto de estudante (Stamp 2) após a chegada. Também se exige:

  • Prova de proficiência em inglês (IELTS, TOEFL ou Cambridge), com nota entre 5 e 6;
  • Tradução juramentada do diploma, quando aplicável;
  • Seguro saúde com validade mínima de um ano;
  • Comprovação financeira de pelo menos €10.000.

O custo anual para estudar na Irlanda varia entre €16.000 e €64.000, dependendo do curso e da instituição.

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