O acordo conhecido como “one-in, one-out” (“um entra, um sai”), assinado entre o Reino Unido e a França em 10 de julho de 2025 e em vigor desde 6 de agosto de 2025, tem como objetivo central reduzir as travessias irregulares pelo Canal da Mancha. Na prática, o acordo permite que o Reino Unido devolva até 50 refugiados por semana à França, desde que tenham chegado ao país por meio de pequenas embarcações e de forma irregular. Em contrapartida, Londres se compromete a aceitar um número equivalente de pessoas por vias legais e seguras, desde que comprovem vínculos familiares com o Reino Unido.
O Processo de Remoção no Reino Unido
Para quem chega em pequenas embarcações e se enquadra nos critérios do acordo, o processo é marcado por agilidade e restrições severas.
1. Detenção imediata e inadmissibilidade
- Detenção: imediata, em Centros de Detenção de Imigração (Immigration Removal Centres).
- Fundamento legal: o Home Office declara o pedido de asilo inadmissível, considerando a França um país terceiro seguro. Lá onde o solicitante poderia ter requerido proteção.
2. Cronograma acelerado de retorno
- Tentativas de reentrada: quem retorna e tenta entrar novamente de forma irregular é removido com prioridade.
- Referência à França: deve ocorrer em até 3 dias após a chegada ao Reino Unido.
- Prazo máximo do processo: até 3 meses.
O Processo de Remoção na França
Após a readmissão, o processo administrativo e jurídico do migrante recomeça em território francês.
Acolhimento de emergência em Paris
A associação SOS Solidarité oferece até 3 dias de acomodação emergencial, apoio básico, check-ups de saúde, acesso a meios de comunicação. Depois desse período, os refugiados são transferidos para centros de acolhimento, onde inicia-se a avaliação legal.
As três opções finais na França (com a segurança como critério)
- Opção A – Retorno voluntário (incentivado):
Oferta de passagem aérea e auxílio financeiro para reintegração no país de origem. - Opção B – Pedido de asilo (com exceções):
Possível apenas se o solicitante atender aos critérios legais e não estiver sujeito à Regra de Dublin. Ela que determina que o pedido seja feito no primeiro país da União Europeia em que a pessoa entrou. - Opção C – Obrigação de Deixar o Território (OQTF):
Quem não se qualifica para o asilo e recusa o retorno voluntário recebe uma ordem para deixar a França em até 30 dias. O descumprimento pode resultar em detenção e deportação forçada.
Crise Humanitária do Hemisfério Sul
Essa é uma batata quente entre a França e Reino Unido para lidar com os estrangeiros. Ainda mais em tempos de crescente xenofobia e constantes mudanças nas políticas de imigração na Europa.
A principal diferença está na causa do deslocamento. Refugiados são pessoas forçadas a deixar seu país devido a ameaças reais à sua vida ou liberdade. Isto pode ser guerra, perseguição ou violência extrema. Migrantes, por outro lado, se deslocam voluntariamente por motivos pessoais. Para melhores oportunidades de trabalho, estudo ou qualidade de vida, sem risco direto à sua segurança.
Para que o pedido de asilo seja aprovado, o solicitante deve comprovar que enfrenta uma ameaça concreta de perseguição. Seja em razão de sua etnia, religião, nacionalidade, posicionamentos políticos, gênero ouorientação sexual. Além de demonstrar que o Estado não é capaz de garantir sua proteção.
Em janeiro de 2026, organizações internacionais e agências de notícias continuam a reportar situações de extrema desumanidade enfrentadas por refugiados. Hotéis e centros de processamento superlotados, crianças dormindo no chão e doenças se espalham pela falta de hiegene, abusos e exploração. Não é somente no Canal da Mancha, mas na Rota do Mediterrâneo com a Líbia e Campos de Refugiados na Ásia. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 30% dos refugiados apresentam transtornos de saúde mental, como depressão e estresse pós-traumático (TEPT).
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