Os peruanos formam uma das comunidades latinas que mais crescem em Barcelona, com mais de 20 mil residentes oficiais na capital catalã. É nesse contexto de efervescência e necessidade que surge a história de Las Forasteritas, um grupo musical que nasceu das ruas e da solidariedade da cidade. Como contam:
“Em Barcelona, existe a Xarxa d’Aliments, uma rede de redistribuição de alimentos onde as pessoas recolhem excedentes de supermercados e lojas locais para evitar o desperdício e, mais importante, para sobreviver. Muitos migrantes vivem em condições muito instáveis: sem documentos, sem trabalho seguro, sem moradia, e esses espaços se tornam mais do que sistemas práticos de apoio; eles se tornam comunidades.”
Através dessa rede, eles acessaram espaços frequentados por jovens e artistas migrantes, especialmente latino-americanos. O que começou como redistribuição de alimentos virou um ecossistema artístico. Fotógrafos, designers e cineastas migrantes colaboraram, permitindo que Las Forasteritas criasse suas primeiras raízes criativas na cidade.
Cinco deles se reuniram para tocar huaynos de Cusco por passatempo e reconectar-se com suas raízes. Sem planejar, se tornaram Las Forasteritas. Começaram pelos restaurantes peruanos e espaços alternativos até os locais renomados na Espanha, França, Áustria e Reino Unido.
“Diferentes pessoas entraram e saíram, mas muitas se tornaram família. Em certo momento, tínhamos um violinista ucraniano profundamente apaixonado pela música andina. Mais tarde, músicos do Chile trouxeram sua própria herança andina para o som. E no âmago, sempre houve a presença peruana, o sul dos Andes, ancorando tudo.”
Eles lembram de uma cidade “repleta de pessoas que, como nós, estavam vivenciando a migração à sua maneira.” O projeto não começou como parte da indústria musical e sim, um espaço de sobrevivência e ponto de encontro.
O Galope do Charango e a Memória dos Andes: Como o Huayno Habita o Som de Las Forasteritas
Las Forasteritas tocam huayno com acordeão, violino, guitarra e baixo. Esses instrumentos que chegaram da Europa à América do Sul durante o período colonial e, ao longo dos séculos, foram incorporados à música andina. O som que o grupo cria hoje é o resultado dessa história.
O huayno é a expressão máxima da identidade andina e herança inca. Popular no Peru, Bolívia e norte da Argentina. Caracteriza-se pelo som agudo e melancólico de charango, harpa e quena, combinando batida alegre com letras sobre saudade, amor perdido, sofrimento e a vida nas montanhas. Nas danças, mulheres giram rapidamente com camadas de polleras, enquanto os homens fazem o zapateo. Apesar de ser o gênero mais ouvido nesses países, sua presença se concentra em rádios locais, comunitárias ou especializadas.
Nem Suavizar, Nem Parar: O Galope das Forasteritas
Desde a formação de Las Forasteritas, os momentos gratificantes têm se multiplicado. Do lançamento do primeiro EP, Huaynos Migrantes, à produção do primeiro videoclipe, passando por apresentações em festivais. A recente primeira turnê pelo Reino Unido confirmou que a música do grupo viaja mais longe do que imaginavam.
Para Las Forasteritas, manter a conexão com suas raízes culturais é essencial. “Esse universo nos acompanha onde quer que vamos”, dizem. Ao mesmo tempo, a construção de comunidade é central para o projeto. Criar cultura de paz, compartilhando identidade e experiências, torna-se ainda mais poderoso quando feito por meio da música.
A trajetória não é isenta de desafios. Culturalmente, apresentar o huayno andino na Europa exige persistência e paciência. Alguns espaços podem ser abertos e diversos, mas outros ainda resistem a sons que vêm de tão longe. Profissionalmente, a burocracia também se impõe: contratos, processos legais e sistemas administrativos muitas vezes complexos. Porém, cada obstáculo fortaleceu a determinação de Las Forasteritas em construir seu espaço na música e na comunidade.
O impacto de Las Forasteritas vai além do palco. Para segunda e terceira gerações de migrantes latinos na Europa, nasceram e cresceram aqui e nem sempre têm acesso direto às suas raízes culturais. Através da música, eles podem se reconectar e descobrir partes de sua identidade que, de outra forma, poderiam se apagar ou parecer distantes.
O que oferecemos é um espaço onde eles podem se reconhecer, onde sua herança se sente viva mesmo longe de sua origem geográfica.
O futuro do grupo promete evolução e experimentação com novas integrantes, lançamentos e elementos digitais e psicodélicos. Além disso, o grupo prepara uma experiência ao vivo que vai além da música, incorporando visuais e tornando o público parte da performance.
Ao refletir sobre a carreira, a principal recomendação do grupo para artistas latinos vivendo no exterior é clara: nunca perder a própria identidade para se encaixar. “Suas raízes são sua força. Continuem construindo a partir de onde vêm e, acima de tudo, colaborem entre si. A comunidade é essencial para profissionalizar o trabalho e criar uma indústria que nos reconheça.”
SOMOS deixa a sua vida na Europa mais simples e conectada
Assim como Las Forasteritas encontrou força, inspiração e comunidade em redes de apoio enquanto se reinventavam na Europa, qualquer pessoa que vive longe de casa pode se beneficiar de conexão, informação e acolhimento. É exatamente nesse espaço que a SOMOS entra: oferecendo uma comunidade para compartilhar experiências, acessar dicas práticas e encontrar apoio para facilitar a vida no exterior.
Quer receber histórias inspiradoras como a de Las Forasteritas, informações essenciais e guias completos para tornar sua experiência na Europa mais simples e conectada? Assine nossa newsletter e junte-se à plataforma SOMOS agora, de graça!





