Nas últimas semanas, uma das plataformas de streaming mais populares, o Prime Video, juntou-se a outros serviços audiovisuais ao adicionar uma funcionalidade em fase de testes que gerou debates nas redes sociais: a dublagem via inteligência artificial.
A indústria de dublagem, presente no Brasil no final dos Anos 30 e México nos anos 1940, tem uma longa história de resistência, expandindo-se no final dos anos 1970 para o restante da América Latina, onde se tornou um fenômeno cultural. Desde então, a dublagem desempenha um papel importante nos lares latino-americanos. México e Brasil são os líderes desse mercado, mas Colômbia e Venezuela também têm conquistado seu espaço
A História da Dublagem
A dublagem caminha em paralelo à história da indústria audiovisual. O final dos anos 1920 foi marcado pelo fim do cinema mudo, com a chegada do som sincronizado nos Estados Unidos, e pelo surgimento da técnica de pós-produção conhecida como dublagem, na Alemanha, nos anos 1930.
Foi nesse período que a prática ganhou um novo método — ainda utilizado atualmente — em que os atores regravam os diálogos em outro idioma, sincronizando a fala com os movimentos labiais da filmagem original. Por trás desse processo, há o uso intensivo de tecnologia, além de uma adaptação cuidadosa da performance, estilo e tom para se adequar ao tempo de fala. Antes disso, era comum a regravação completa das cenas com atores locais.
A Dublagem como Ferramenta de Inclusão
Para além do interesse econômico nesse polo de mercado, a dublagem na América Latina também chegou com um certo viés político. Na Espanha sob o regime franquista, a dublagem era usada para promover ideologias específicas ou censurar conteúdos, o que despertou, em outros países hispanofalantes, o desejo de manter suas próprias versões.
Já no Brasil, a dublagem começou em 1938, com Branca de Neve e os Sete Anões, mas ganhou força nos anos 1960, durante o governo de Jânio Quadros, que determinou que filmes e séries estrangeiras exibidos na televisão fossem dublados. A justificativa era que a baixa qualidade da imagem na época tornava quase impossível a leitura das legendas.
A dublagem quebra barreiras culturais e linguísticas, além de tornar o conteúdo mais acessível para pessoas com deficiência, oferecendo uma experiência mais imersiva e engajadora.
Estudos indicam que o público brasileiro tem uma forte preferência por conteúdos dublados. Aproximadamente 70% do público latino-americano prefere conteúdos dublados em vez de legendados.
Para imigrantes, essa técnica facilita a compreensão cultural e a integração, ao mesmo tempo em que gera empregos dentro da própria indústria. A dublagem ajuda latinos a manterem vínculos com sua cultura de origem e, ao mesmo tempo, facilita a inserção em um novo país, tornando os conteúdos locais mais acessíveis.
Ela não apenas proporciona entretenimento, mas também contribui para a preservação da língua materna e das tradições culturais. Isso é especialmente importante para as gerações mais jovens, que muitas vezes estão mais expostas à cultura local.
A dublagem facilita o acesso a conteúdos audiovisuais, especialmente para quem ainda está se adaptando a um novo idioma, promovendo uma sensação de conforto e familiaridade.
Tudo isso amplia as conexões com uma única obra.
A Preocupação na Era da IA
Porém, ao utilizar a inteligência artificial ao invés da dublagem — seja para democratizar o acesso, reduzir custos ou acelerar processos —, há um risco: com essa mecanização da arte e a extinção de algumas profissões artísticas, perde-se aquela conexão única e os momentos icônicos que a dublagem humana proporciona. São nuances que uma máquina simplesmente não consegue capturar. A dublagem é muito mais do que repetir falas — é transmitir emoção, adaptar o contexto cultural e criar empatia com o público.
O avanço da inteligência artificial na dublagem levanta preocupações sobre a perda da autenticidade e da expressividade que os dubladores humanos trazem. Para imigrantes, isso pode significar uma desconexão ainda maior com conteúdos culturais que antes serviam como um elo com suas raízes. A substituição de vozes humanas por vozes geradas por IA pode afetar a forma como essas comunidades se relacionam com a mídia e, consequentemente, com sua própria cultura.
Em um mundo cada vez mais automatizado, até onde estamos dispostos a abrir mão da expressividade humana em nome da eficiência? Será que a emoção de uma voz será, um dia, substituível?
Vozes que Acolhem na Europa
Valoriza a emoção e a conexão humana na cultura? Nós também!
Assim como a dublagem rompe barreiras linguísticas e culturais, iniciativas como a SOMOS cumprem um papel essencial: informar, acolher e integrar imigrantes latinos em sua nova realidade. Ambas contribuem para a construção do sentimento de pertencimento — seja por meio da arte, seja por meio da informação.
Venha conhecer a SOMOS, gratuita e a um clique de distância. Um espaço de acolhimento, informação e conexão para brasileiros e latinos no Reino Unido. Plataformas digitais e iniciativas comunitárias tornaram-se verdadeiras redes de apoio — e você pode fazer parte disso.
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