No próximo domingo, dia 23 de novembro, será a próxima partida de rugby de Los Pumas contra a Inglaterra. A sua última participação foi de vitória no último Sábado contra a Escócia. Essas partidas são parte do campeonato de final de ano do esporte que acontence anualmente em Novembro pelo Hemisfério Norte. Salve Los Cóndores (Chile), Los Teros (Uruguai), Las Serpientes (México), Los Tucanes (Colômbia) , Los Tumis (Perú). Como o esporte conquistou a América Latina e vai substituir o futebol? Fique no texto para descobrir
Rugby na Inglaterra: Onde Tudo Começou
Dizem que o rugby foi criado por um estudante, William Webb Ellis em 1823 em uma escola de Rugby. Durante um jogo de futebol, o próprio decidiu pegar a bola com as mãos e correr com ela. Embora haja poucas evidências para apoiar essa teoria. Muitos dizem ter sido dali que o jogo foi ganhando forma com o desenvolvimento de regras e formação de órgãos reguladores.
O rugby rapidamente se consolidou como um dos esportes mais significativos na promoção do ideal de masculinidade imperial inglês no meio do século XIX. Logo, o esporte transcendeu suas fronteiras iniciais. Ele foi implementado nas colônias também como um poderoso meio de reforçar ideais de disciplina, lealdade e coragem. Os valores fundamentais na formação do “homem imperial”.
À medida que o século XIX avançava, o rugby passou a ser associado a atributos como altruísmo, coragem, trabalho em equipe e autocontrole. Era visto não apenas como um jogo, mas como um veículo de desenvolvimento moral e físico, promovendo ideais que uniam educação e masculinidade de uma classe dirigente em ascensão. Nos anos finais do século, o rugby começou a se espalhar pelo norte do Reino Unido, ganhando popularidade nas comunidades industriais e se estabelecendo como um esporte central na vida social e cultural de muitos.
Essa ascensão culminou na formação de ligas e clubes que formalizaram o esporte, solidificando seu lugar na identidade britânica. Assim, o rugby tornou-se não apenas uma paixão nacional, mas um símbolo de um novo tipo de masculinidade, em um período em que a Grã-Bretanha se afirmava como uma potência mundial.
Como o Rugby Se Ressignificou nas Colônias Inglesas
Na África do Sul, o rugby se tornou um símbolo do apartheid, regime de segregação racial que impediu a participação de diferentes raças em esportes de 1948 a 1994. O Springbok, antílope nativo, representava a exclusão de jogadores não brancos e os valores africâneres, e seus primeiros 90 anos foram dominados por brancos. O Movimento Anti-Apartheid organizou manifestações contra as turnês dos Springboks, resultando na exclusão da África do Sul das duas primeiras Copas do Mundo de Rugby, em 1987 e 1991. A participação do país na Copa de 1995, sob a liderança de Nelson Mandela, o primeiro presidente negro da África do Sul, foi marcante. Ele entrou em campo com a camisa número 6 dos Springboks, um gesto que simbolizou a unidade e o início da reconciliação em uma nação ainda dividida.
Na Austrália e na Nova Zelândia, o colonialismo europeu resultou na perda de terras, cultura e direitos dos povos aborígenes, que enfrentaram condições precárias e isoladas. Políticas opressivas restringiam seu movimento e participação na sociedade. Nesse contexto, o rugby emergiu como uma forma de resistência e organização comunitária, permitindo que os aborígenes se unissem e fortalecessem sua identidade cultural em busca de melhores condições de vida. Essa relevância se reflete nos jogos atuais, onde rituais antes das partidas simbolizam representatividade e orgulho para a comunidade aborígene.
A Expansão de Rugby na América Latina
A Argentina abriga a maior comunidade escocesa fora dos países anglófonos desde do fim das Guerras Napoleônicas (1803–1815), conflitos que abalaram grande parte da Europa sob o comando de Napoleão Bonaparte. Eram soldados e marinheiros desmobilizados junto com operários e artesãos qualificados. Todos em busca de oportunidades econômicas e ascensão social, já que a América Latina oferecia um futuro mais promissor.
Foram esses escoceses que introduziram o rugby e o futebol na Argentina. Inicialmente praticado pelos trabalhadores das ferrovias. Logo, o esporte chegou aos estudantes e se espalhou rapidamente pelo país. Em colégios, universidades e clubes centenários da capital. Naquela época, o rugby ainda era amador, e sua popularidade cresceu após a primeira vitória internacional contra o Chile em 1950, apesar de sua estreia oficial ter sido em 1910.
Los Pumas: Orgulho Latino
Desde o primeiro torneio em 1987, a Argentina participou de todas as Copas do Mundo de Rugby. Ela é considerada, de longe, a equipe mais forte do continente, seja uma ocorrência rara perder. A Argentina alternou camisetas azuis e brancas em seus primeiros jogos internacionais. Até ela enfrentar os British Lions iconicamente pela primeira vez em 1927. Neste jogo, a seleção da Argentina não “alternou” as cores até o jogo, como sugerido.
O mascote da equipe foi escolhido em 1941, inicialmente como um leão, mas foi substituído pelo jaguar. O apelido “Pumas” surgiu de um erro de um jornalista inglês que tentou criar um apelido chamativo durante a primeira turnê da equipe como os seus adversários.
Jaguar ou onça pintada?
Para nós, brasileiros, jaguar é a onça-pintada. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, usaram “onça” para se referir ao lince europeu, vindo do latim luncea. Os tupis chamavam o jaguar de ya’wara, que não colou por aqui porque significava apenas “fera.” Este acabou sendo usado para os cachorros trazidos pelos portugueses, resultando em “jaguara” para vira-latas no sul do país. Para evitar confusões, preferiu-se o termo europeu. Contudo, em algumas regiões do Brasil, Paraguai e Argentina, “jaguar” quase pegou. Transformando-se em “jaguaretê”, que significa “fera verdadeira”, usada pelos guaranis para diferenciar a poderosa onça de outros animais.
Onça-pintada é a rainha da floresta. Para muitos povos indígenas, a onça é vista como a guardiã da floresta, simbolizando força, agilidade e sabedoria. Sua presença representa a força da natureza e a importância da harmonia com ela. Ela é considerada um totem e espírito protetor. Ela é homenageada em rituais e visões dos xamãs, guiando e oferecendo força às comunidades, presentes em histórias e lendas de geração após geração de indígenas.
Aonde eu posso assistir o jogo de rugby dos Los Pumas na Europa?
Para assistir Los Pumas brilharem, está disponível numa variedade de canais abertos, a cabo e plataformas de streaming. Alguns deles são disponíveis a um clique e outros requisitam a inscrições:
| País | Canal/Plataforma de Transmissão | Observações |
|---|---|---|
| Reino Unido | TNT Sports e discovery+ | A transmissão para o jogo da Quilter Nations Series será exclusiva para o serviço de assinatura. |
| França | beIN SPORT | O canal de assinatura francês beIN SPORT transmitirá todos os jogos da série, exceto aqueles que envolvam a França. |
| Itália | Sky Italia | O canal italiano Sky Italia transmitirá todos os jogos da série em Itália. |
| Irlanda | TNT Sports e discovery+ | A transmissão na Irlanda será a mesma que no Reino Unido. |
| Outros países da UE | Plataforma NZR+ | Em países da UE sem acordo de transmissão específico para os jogos de rugby internacional, é possível assistir a todos os jogos do Rugby Championship (do qual Los Pumas faz parte) através do serviço de streaming da New Zealand Rugby, o NZR+. Os custos variam de acordo com o plano. |
Agora, a pergunta de milhões, rugby vai substituir o futebol?
A história do futebol talvez fique para outro texto, mas é preciso realçar o mercado de milhões que movimenta as nossas economias e a tradição de domingos que lotam os estádios e bares, sem sequer mencionar a atmosfera da Copa do Mundo e toda a comunidade englobada na arte de assistir 11 jogadores, 1 treinador, cinco juízes e todos os bastidores que tornam esse fenômeno possível. Seja ele televisionado ou ao vivo, em cores.
Logo, talvez o rugby ainda tenha uma longa jornada pela América Latina para além desse ofuscamento. Por mais que os Los Pumas já estejam fazendo história, assim como alguns dos times citados e as ligas regionais, pavimentando futuros e utilizando a simbologia dentro da nossa biodiversidade como atrativo ou do esporte como ferramentas de inclusão em progamas sociais ou participação mais ativa de mulheres e indígenas como uma revolucionária reparação histórica no mundo dos esportes. Ainda que sejam poucas emissoras que transmitem o rugby no continente.
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